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  • Thainá Carvalho
  • 29 de abr. de 2018


Não gostava de flores em vasos. Preferia o cheiro de terra, as gotas de chuva, e a lembrança do pai jardineiro. Ela ainda o via, morto, em meio às tulipas do parque onde iam quando era criança. No dia da queda, sua mãe apenas lhe dissera que seu pai havia subido no cajueiro e voado.


 
 
 
  • Thainá Carvalho
  • 29 de abr. de 2018


Voltava para a casa que tinha sido forçado a abandonar quando fora preso em flagrante. Retornava sem ter aprendido nada, e sem ter se arrependido de nada, porque não era um criminoso. Ele apenas empurrara, e faria tudo de novo, talvez até com mais ódio dela e do amante. Se ela caiu lá de cima, não era culpa dele.

 
 
 
  • Thainá Carvalho
  • 29 de abr. de 2018

Seu sonho era ir a Paris. Começou a trabalhar e planejar suas economias. Nas férias, teve que ajudar a mãe com o pai doente. Gastou todo o seu dinheiro com tratamentos, mas não adiantou. Algum tempo depois do enterro, teve depressão, e foi demitida porque vivia de atestado. Passou a fazer bolos sob encomenda e, aos poucos, superou a doença. Conheceu seu namorado em um barzinho e casaram-se no civil quando veio a gravidez inesperada. Viveram bem, mas sem luxos. Ela nunca viajou.


 
 
 

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