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  • Thainá Carvalho
  • 29 de abr. de 2018


Passeava vagarosamente no jardim botânico. Ouvia o canto dos pássaros que rodopiavam em cima das árvores e o som cristalino das águas que jorravam nas fontes de pedra. Escutava seus próprios passos nos paralelepípedos das alamedas e os pedaços de conversas indistintas dos passantes. Sorria consigo mesmo e seus sons imaginados. Era surdo de nascença.

 
 
 
  • Thainá Carvalho
  • 29 de abr. de 2018

Jogou a sacola de forma discreta. Agora, os papéis, os chips, e as gravações estavam na lama do fundo do rio. Nem lembrava como começou a entrar nesse bolo desde que fora eleito vereador. Uma vista grossa aqui, uma propina ali, mas claro que ele não era como os que roubavam milhões do dinheiro público, esses sim eram ladrões. Ele não, ele era coisa pequena. Seus únicos juízes eram os olhares de reprovação das aves pousadas nas amarras do cais.


 
 
 
  • Thainá Carvalho
  • 29 de abr. de 2018

O amor era tranquilo e sem promessas. Iam a cinemas, bares e casas de amigos. Não falavam muito sobre o futuro, mas construíam sonhos no dia-a-dia. O amor era paciente, e sem manias de paixão, apesar de uma ou outra briga. Ficaram juntos por alguns anos antes de terminarem.


 
 
 

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