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22.08.2019

Olhou para as estrelas como um desafio à morte. É que os olhos já não enxergavam muita coisa, e os pés doíam mais e mais a cada dia de menos. A resignação vinha aos poucos, em forma de nostalgia, como se a memória fosse a um só tempo resistência e justificativa para uma...

22.08.2019

Olhava para os livros como se fossem filhos. Cada um lembrava um aspecto de si mesmo, um dia agradável ou uma pessoa que fazia falta. O quiosque servia mais como armário de recordações do que ponto de venda. Sentado em um banquinho, aproveitava todas as tardes ali para...

22.08.2019

Avaliou o silêncio deixado na casa pela partida dos filhos. Seco e incontornável, preto e branco. A companhia do marido equivalia à de uma almofada no sofá, talvez mais inútil. Ela própria sentia-se sem razão de ser. Via-se obrigada a aproveitar a liberdade de não ter g...

22.08.2019

Contava os dias como quem pula ondas: jogando-se em câmera lenta nas partículas de luz. Espalhava-se pela rotina sem atentar muito para as horas que faltavam até a chegada dele. O retorno e a partida, mais uma vez. Estavam acostumados, mas o mundo não. Terminaram? Quand...

22.08.2019

Imaginou que estava no céu. Que não tinha os pés cansados, e nem as manchas de suor na camisa formal emprestada. Pensou que a derrota seria mais leve, e as entrevistas menos humilhantes. Na faculdade, sonhara alto, mas acabou sendo puxada para baixo, sem vagas, sem opor...

22.08.2019

Protegeu os olhos com a mão. Muita luz. Pensou o que ela faria se o barco afundasse. Constatou que não sabia nadar. Duvidou que a praia mais próxima pudesse ser alcançada a nado. Imaginou que a praia mais próxima fosse tipo Cancún, cheia de hotéis. Perguntou-se se o hot...

19.06.2019

Por um instante, aquele banco foi o mundo. A parede estava gelada e havia um cheiro de urina no ar, mas foi romântico quando ele a viu se sentar para fumar um cigarro de desassossego. Ele se aproximou e ofereceu um dos lados do fone. Ela reclinou-se sobre o som e ele pô...

19.06.2019

Olhou para o lado como se ela pudesse estar logo ali. Depois de seis anos, talvez nem a reconhecesse mais. Seriam outros os olhos, os cabelos, os gritos, os sonhos nos quais ele não cabia. E agora? Haveria espaço pra ele na vida dela? Talvez sim. De qualquer forma, a es...

19.06.2019

O balanço definhava com a memória. Da janela da casa, ela olhava para o silêncio das folhas caídas. Como era mesmo a canção que a balançava naquele galho de árvore? Constância, meu bem, constância. O nome da bisa, a personalidade da mãe, os cabelos do pai. Constante sem...

19.06.2019

A porta mal escondia o que ia ali dentro. O pai relapso, a mãe tentando cobrir os cantos com detalhes sem importância, o filho mais velho alcoólatra e o do meio qual? Só a caçula tinha coisas boas a contar para os ursinhos, enquanto a empregada trançava-lhe os cabelos c...

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Oxente! Claro que aqui tem #textão, tem #conversa, tem #opinião, tem #lorota, tem #resenha e tem #eu. Prazer, Thainá, aspirante a escritora. Senta aí e deixa eu te contar.

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