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Carta para uma mente

02.07.2017

 

Coloquei o fone. Uma música bem alta, só minha. Precisava do silêncio pra fazer isso. Precisava de paz pra enfrentar minhas guerras internas. E tudo isso me parece tão mesquinho quando vejo, no canto, uma formiga que rodopia tentando encontrar-se, encontrar uma companheira na imensidão da minha mesa. Eu me encontrei há tanto tempo que já me esqueci e, na maior parte do tempo, estou lutando as mesmas batalhas perdidas. Eu só queria que você pudesse parar com isso e me deixasse respirar, mas você me toma, me possui de tal forma que me vejo dentro dessa falsa sensação de liberdade. Pare de me fazer analisar os ses, os quandos, os porquês. Você os empurra goela adentro e me sinto sufocado. Tento agarrar qualquer coisa, um sorriso, um momento, uma mão do meu lado, mas você não deixa. Minha monstra - criei você mesmo sabendo das falhas daquele velho Frankenstein. E quem não incorre nos mesmos erros dos outros? E quem não se arrepende, já antecedendo as desculpas que seguirão seus atos? Sim, é provável que eu logo te peça desculpas. Assim, me estrago, me consumo enquanto deveria, não sei, estar fazendo coisa melhor da minha vida. Você é meu vício e não tenho cura, apenas paliativos que te entorpecem enquanto admiro a beleza genuína de um pássaro voando ou de um entardecer, assim só por admirar, sem pensar. E, aí, você já me chama e me perde novamente. Por favor, me deixe! Queria tanto ser outro, longe de você. Sentiria falta? Provavelmente sim. Sempre que me imagino sem você, por um desses caprichos do corpo mortal talvez, choro. E, então, você sabe que preciso de você, nem que seja só como desculpa para a vida. Preciso estudar, casar, ter filhos, não posso ficar com você pra sempre, perdido em divagações que você mesma não permite que se realizem porque o que me dá de desejos, sonhos, vontades e ambições, me dá de medos, angústias, ansiedades e fraquezas. Escrevo porque não consigo dialogar com você - vence todos os meus argumentos, sempre. Você me deixa louco e não me deixa. Sempre me envolve com seus braços e diz: te avisei. Você sempre sabe tudo, não é? Acredito em você e deixo de fazer tantas coisas. Quando questiono, você me dá todas as respostas e, prendendo-me em suas certezas, mal percebo que você me rouba a interrogação e a ação. E aí já sou fantoche, obedeço porque a chamo de razão. E, às vezes, ouso até dizer que tenho isso de 'razão'. Queria o impulso, o pulo, o autêntico, o fato, mas você é ciumenta. Mente, me deixe! Peço, imploro, porque sei que não tenho forças pra te deixar, pra te jogar no escuro, porque você é minha luz, meu consolo quando não me deixa escutar o que dizem por aí de mim. Às vezes, você me dá coragem mas, logo em seguida, a toma de mim. Você me mantém no seu mundo sem fim, que gira, gira, gira, me deixando onde comecei - estanco, estaco. Tenho medo porque você logo vai chegar. Se chega, não consigo terminar isso porque você nunca me deixa terminar nada. Já vem! Espere, por favor, só mais um pouco. Não, não quero suas fantasias agora, tenho muita coisa pra dizer, ainda preciso fa...........

 

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